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Entrevista a Ezequiel Mosquera: "O ciclismo do século XXI é como a Santa Inquisição"

Postado por Sport Time às 12/21/2011 05:59:00 PM
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Ezequiel Mosquera

A Vuelta 2010 foi a melhor e a pior para Ezequiel Mosquera. O ciclista espanhol acabou em segundo e deu positivo por hidroxietilamida, uma substância fluidificante do sangue. Esperou 14 meses, sem estar suspenso, mas sem poder correr, por um castigo de dois anos que, aos 36 anos, põe um ponto final na sua carreira.



Quando soube do castigo, questionou no Facebook se a justiça é justa. Já é capaz de responder a essa pergunta?
O que acha? No código da AMA [Agência Mundial Antidopagem], da UCI [União Ciclista Internacional] ou do Estado espanhol está escrito "proibida a administração intravenosa de hidroxietilamida". Está proibido o método, nunca a substância, que é do mais comum e não tem nenhum efeito dopante, nem oculta nada por via oral - tenho provas intermináveis para demonstrar que não apareceu por via intravenosa. No entanto, como não apresentei a proveniência, levei dois anos. O Comité da Real Federação Espanhola de Ciclismo (RFEC) não duvida que foi por via oral. Onde está a infracção? E como é possível que um companheiro de equipa [David García] que deu positivo por EPO acabe a sanção em Março de 2012 e eu comece a cumprir dois anos agora, depois de estar um ano parado?

O seu processo demorou 14 meses a conhecer um desfecho. Durante esse tempo o que lhe pareceu mais estranho?
Eu entendo bem o que aconteceu, não posso é contar. A notícia foi filtrada, soube pela imprensa. Foi publicada no mesmo dia em que saiu a notícia de outro caso mais importante [o de Contador]. Em Julho, os media galegos perguntaram ao meu advogado quando haveria uma decisão e ele disse que seria em Novembro para coincidir com a audiência do caso Contador no TAS. É matemático. Não têm vergonha nenhuma. Soube-se uns dias antes de a RFEC ir para a Suíça, com a cara bem limpa e com o trabalho de casa feito.

É verdade que a UCI o aconselhou a não se preocupar?
Sim, disseram-me que era uma substância menor, que se iria abrir uma investigação, mas que poderia continuar a competir, que não havia problema. Há muito tempo que não falava com o Álvaro Pino [o seu director desportivo na Xacobeo Galicia] e ele contou-me que lhe telefonaram, que relativizaram o caso. Disseram-lhe textualmente, "no pior dos casos, [a suspensão] será de um a três meses". No pior dos casos. E vejam onde cheguei: dois anos, mais um.

Um ano com licença e nunca competiu. A Vacansoleil foi ameaçada?
Não sei o que se passou nos bastidores, nunca cheguei a sabê-lo. Essas comunicações, quando existem, como não são legais, são feitas com o telefone encriptado. Eles acreditavam em mim. Cada vez que tentavam inscrever-me, algo acontecia e nunca chegava a receber o bilhete de avião. E ficava em casa.

Explicavam-lhe por que acontecia?
Não, mas tinha uma ideia. Não o faziam para não se comprometerem. É que uma equipa pequena, no ciclismo do século XXI, tem de andar com muito cuidado. Isto é como a Santa Inquisição.

Houve uma dualidade de critérios na análise do seu processo e no de Alberto Contador?
Não vou pronunciar-me sobre o caso Contador. Oxalá seja absolvido, porque é vital para o futuro do ciclismo espanhol. Mas posso dizer que o apoio com que o Contador contou, desde todos os flancos, do Governo aos meios de comunicação social, foi algo que nunca vi na vida... se eu, com o problema do Contador, inocente ou culpado, me tivesse apresentado com a sua defesa na RFEC ainda hoje se estariam a rir de mim. Se calhar até teria sido melhor dar positivo por clembuterol, ver como se riam da minha defesa, mas levar dois anos. Mas dois anos desde Outubro de 2011. Pelo menos, não seriam três.

Doeu-lhe que os media espanhóis tenham ignorado o seu caso?
Doeu. A pouco e pouco fui começando a explicar-me e sensibilizaram-se. Também tenho de reconhecer que, quando vi o caminho que o assunto estava a tomar, quando vi como defendiam o Alberto e me atacavam, tornei-me paranóico. Paranóico ao ponto de achar que isto era uma conspiração do Estado contra Mosquera. Era uma operação de salvação ao soldado Contador e uma conspiração contra o soldado Mosquera. Passei muitos meses calado, aguentando a raiva. Tive a minha parte de culpa, porque guardei um silêncio sepulcral durante muitos meses.

Arrependeu-se?
Sim. Calei-me por prescrição médica, ou seja, por aconselhamento do meu advogado, que me dizia que "os reality show" não ajudam. De facto, só me dizia "calma e silêncio". Mas não serviu de nada. Muitas das coisas que contei agora, se as tivesse contado mais cedo, no início do processo... mas também havia coisas que não sabia, como por exemplo o facto de as amostras estarem identificadas, de serem mandadas para fora, depois de darem negativo no laboratório de Madrid. São coisas que fui conhecendo... olhando para o passado tudo parece mais nítido.

No dia em que foi oficialmente informado do castigo, convocou uma conferência de imprensa para denunciar uma tentativa de "assassínio mediático".
Quando comecei a contar todas estas histórias, as pessoas começaram a dar-se conta da realidade da situação, começaram a indignar-se pela diferença de tratamento. No dia em que soube da sanção, decidi contar o que sabia. Acabei por só revelar a ponta do icebergue. O máximo responsável pelo desporto galego [José Ramón Lete], no dia seguinte, foi a Madrid e, numa conversa em off, pediu para me matarem mediaticamente, porque eu estava a fazer-me de vítima. Não tinha pensado desvendar nada de cariz político, nem misturar um tema desportivo com a política, mas vi-me obrigado a fazê-lo. Não foi um ataque, foi uma defesa perante um ataque sujo, pelas costas.

Preocupa-o mais não voltar a correr ou que as pessoas o vejam como dopado?
Perdi muito dinheiro, tanto que qualquer pessoa não dormiria descansada. Quanto a isso, estou resignado. Tenho as minhas poupanças, nunca fui gastador, sobram-me recursos para seguir em frente. O que não posso suportar é que por um amido, que é o que a hidroxietilamida é, me tramem desta maneira. Que manipulem a opinião pública, que digam que, porque o meu companheiro deu positivo por EPO, eu também estava dopado. O que me indigna é isso: que apresentes todas as provas e que outras, com muito menos solidez, sejam tidas em conta e as minhas não sirvam para nada. Irei até onde for preciso. Não irei ao Tribunal Arbitral do Desporto, porque considero que a justiça tem de ser, não grátis, mas acessível a qualquer pessoa. Não tenho porque ir gastar, no mínimo, 50 mil euros, depois de tudo o que perdi. Se for preciso ir a Estrasburgo, vou a Estrasburgo, mas a mim vai-me julgar um juiz, não um jurista qualquer. Quando um juiz começar a ler a quantidade de aberrações escritas no meu processo, talvez nem acabe de lê-lo. No final era um ciclista da equipa de Alvaro Pino, com um orçamento baixo, rendendo mais do que era esperado e ganhando aos melhores. Acaba por ser expectável. Nunca imaginei que podiam chegar a isto, mas chegaram.

Estes meses mudaram-no?
(suspiro) Tento que não. Procuro não perder a integridade, mas é difícil. Acordo às cinco da manhã, lembro-me do apoio que o Contador tem e não volto a pregar olho. Não durmo mais. É uma raiva tremenda. Há que vivê-lo para saber exactamente do que falo.

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